quinta-feira, 28 de junho de 2012

Sobre o paraíso: Uma profecia do futuro projetada no passado?





"A bíblia é aquele outro fio que, ligado ao fio da vida, acende a lâmpada e faz descobrir o caminho por onde caminhar"
(MESTERS, 1971)


O homem está sempre em busca de um passado perdido “a nostalgia pelo passado, a nostalgia de algum paraíso perdido...” (RICOEUR, 1991).  
Na bíblia encontramos a história do jardim do éden que remete a um lugar físico, que Deus tornou invisível e que é guardado por anjos. Não discordo da possibilidade histórica desse jardim e dos primeiros   seres humanos criados por Deus, como é tão demarcado no pensamento judaico-cristão, e, sem dúvida, esse historicismo está inserido na minha confissão de fé cristã. No entanto, também considero (e encontro muita beleza nessa interpretação! afinal de contas, não podemos perder a capacidade de falar e pensar por simbolos...) a total carga simbólica inserida na narração do paraíso, para além do seu aspecto histórico. Essa narração consiste numa profecia do futuro projetada no passado, em que é necessária uma congruência de fé e esperança expressas na linguagem bíblica para poder compreender. O ambiente perfeito exposto na narração bíblica do jardim do éden perpassa a existência real ou irreal do paraíso, ela descreve situações que acontecem sempre com os indivíduos. Sobre isso afirma Carlos Mesters em "Paraíso terrestre: saudade ou esperança?":
A narração bíblica... não está interessada em provar se o primeiro homem pecou ou não pecou. Ela está interessada em chamar a atenção do leitor para o fato de que todos os homens pecam, inclusive o leitor, inclusive nós, inclusive o primeiro homem, pois todos somos ADÃO, pertencentes à mesma raça humana, e em todos aparece aquela inexplicável e misteriosa tendência para o mal.
(Mesters, 1971:106)

Esse simbolismo presente na narração bíblica traz para o homem a consciência e a atitude de mudança, pois o que foi “perdido” pode ser recuperado por ele, que a cada momento tem a livre escolha de colocar-se no caminho (longe do pecado) ou retirar-se dele. A descrição do paraíso como algo do passado é uma projeção para o futuro.
 Na descrição do paraíso se fala de coisas impossíveis humanamente falando: “terra sem seca, parto sem dor, vida sem morte, amor sem opressão, animais todos mansos que falam, religião sem medo.” (MESTERS, P. 89) essa situação que não condiz com a nossa realidade está presente num futuro que só o homem pode procurar através da palavra de Deus, futuro este que está predito nessa narração do jardim maravilhoso! A propósito, a bíblia começa com um jardim (gênesis) e termina com um jardim (apocalipse-Jerusalém celestial). A possibilidade real e sempre aberta de o homem poder viver nesse jardim de paz e descanso é sua comunhão com Deus. O caminho que conduz ao jardim projetado na história simbólica do passado está na bíblia, que nos faz "descobrir o caminho por onde caminhar": JESUS CRISTO!

Um comentário:

  1. Inteligente a colocação. Entendemos que o Milênio descrito em Isaías 11.6-10 se dará pelos idos de Apocalipse.

    O Jardim de Gênesis tornará fisicamente no reindo milenar e o fruto da consciência MATEUS 7.17 é o mesmo da ocsião em que o homem declinou da glória que havia recebido.

    Isso significa que todos os dias estamos diante do mesmo fruto que serpenteava a frente do casal.

    Desobediência é o nome do fruto que separa o homem do Jardim eterno.

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